sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Halitose de Personalidade



Halitose é uma afecção bucal, que se caracteriza por hálito fétido. Possui inúmeras causas, sejam dentárias, bucais, estomacais, etc. A pessoa portadora de halitose muitas vezes não percebe que está afastando as pessoas com o seu mau-hálito. É até inconveniente ser obrigado a chamar um amigo para um canto e dizer o que está acontecendo. Mas pode ser necessário.

O termo "halitose de personalidade" foi cunhado por um psiquiatra, que não lembro mais o nome, só lembro da cor do livro, amarela, para se referir a personalidades fétidas. A característica comum era que essas personalidades afastavam as pessoas e a maioria nem se dava conta do mau cheiro de seus comportamentos. Cabia à psicoterapia informar ao indivíduo o que estava acontecendo. E sempre é desagradável ter contato com as verdades dolorosas, principalmente as verdades feias, rechaçantes, que causam algum grau de vergonha ou culpa. Por isso, essas pessoas fugiam literalmente das psicoterapias e continuavam exalando suas personalidades por aí.
Você conhece alguém com halitose? E alguém com halitose de personalidade? São pessoas que são verdadeiros arautos de negatividade, queixume, inveja, criticismo, controle, partes feias da personalidade, que vão machucando o mundo ao redor. E não percebem! Quando sofrem as quedas, porque ninguém mais aguenta tolerar as agressões diretas ou indiretas( passivo-agressivas), ainda culpam os outros, ao invés de olharem para seus mundos tortos. A psicoterapia pode ajudar, mas somente o autocontrole e a autovigilância podem devolver essas pessoas à vida em sociedade.
Recomendo que você fique longe ou limite o seu contato com os portadores de halitose de personalidade, porque eles fazem mal à sua saúde física e mental. Se você vive numa família que possui portadores dessa doença, procure a sua liberdade. Se o seu chefe acorda de manhã com mau-hálito, troque de emprego. A vida é breve demais para termos que esperar que os outros escovem os dentes( higiene mental e psicológica) como uma obrigação tão necessária de civilidade nos dias atuais.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Será que tenho TOC?






Algumas perguntas são úteis para esclarecer se alguém apresenta sinais e sintomas de TOC.


_ Você percebe que pensamentos ou imagens sobre determinada coisa ficam se repetindo na sua cabeça, mesmo contra a sua vontade?


_ Você costuma ficar muito preocupado com a sujeira? Costuma, em função disso, lavar as mãos várias vezes ou tomar muitos banhos?


_ Você tem alguma mania que o incomoda?


_ Você fica muito tempo checando coisas para ver se elas estão fechadas corretamente? Por exemplo, a porta de casa, o carro, o botijão de gás.


_ Você chega muito atrasado aos seus compromissos por ter de ficar verificando detalhes de tudo o que faz?


- Deixar de seguir uma rotina ou uma programação em sua vida o deixa muito nervoso?

Transtorno Obsessivo-Compulsivo(TOC)



Estima-se que o Transtorno Obsessivo-Compulsivo(TOC) tem uma prevalência ao longo da vida em torno de 2,5% da população. O início dos sintomas ocorre na adolescência ou no começo da vida adulta.

As características diagnósticas do transtorno são a presença de obsessões( pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes que são experimentados como intrusivos e inadequados). Por causarem sofrimento, a pessoa tenta ignorá-los ou acalmá-los através de atos repetitivos( as compulsões), que podem ser motores ou mentais, causando sofrimento pela irracionalidade e pela incapacidade de resistir ao impulso.
O tratamento se faz pelo uso de medicamentos que regulam o neurotransmissor serotonina, além da terapia cognitivo-comportamental(TCC) para reduzir os prejuízos causados pela doença. O curso do transtorno é crônico, com tendência à cronicidade. Em quadros graves e resistentes aos medicamentos, a psicocirurgia está indicada. Há uma melhora entre 25 e 90 % dos pacientes operados.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Fobia Social



A Fobia Social acomete 3 % da população geral. Os sintomas aparecem na infância ou no início da vida adulta e o curso é crônico. É classificada como um tipo de transtorno de ansiedade.

O diagnóstico é feito quando se detecta medo acentuado e persistente de passar por situações embaraçosas ou humilhantes em certos contextos de exposição e interação social. O contato com o estímulo ou situação temida provoca ansiedade, podendo desencadear ataques de pânico. A pessoa reconhece o medo como excessivo ou irracional, entretanto não consegue controlá-lo. As situações sociais são evitadas( esquiva fóbica), sendo que esse comportamento causa prejuízo funcional importante, interferindo na rotina profissional e social, além de causar intenso sofrimento físico e psíquico. Esse medo não pode ser produzido pelo uso de substâncias ou condição médica geral.

O diagnóstico diferencial é feito com a timidez. A timidez é um traço de personalidade determinado geneticamente. Diferente da fobia social, a timidez tende a amenizar quando o indivíduo se entrosa em situações sociais ou tenta expor-se ao estímulo temido( falar em público, por exemplo). Na fobia social, a tentativa de enfrentar o medo, aumenta os sintomas do transtorno, a ponto da pessoa ficar paralisada.

Muitas pessoas portadoras de fobia social, acabam se isolando e desenvolvendo outras doenças psiquiátricas comórbidas como depressão, abuso de álcool( para diminuirem a ansiedade), abuso de outras drogas recreativas.

O tratamento se faz através de antidepressivos ISRS( inibidores seletivos da recaptação da serotonina), beta-bloqueadores( para os sintomas físicos da ansiedade). A terapia cognitivo-comportamental também é bastante utilizada, através de técnicas de dessensibilização sistemática. O indivíduo vai se expondo aos estímulos fóbicos até que haja a atenuação ou extinção do medo. Outra técnica bastante útil é o desenvolvimento de habilidades sociais, que estão deficitárias no paciente, em virtude de não tê-las desenvolvido suficientemente. Outro aspecto da terapia é questionar as crenças disfuncionais( cognições distorcidas) quanto à sensação de estarem sendo julgados, escrutinados pelos outros, desenvolvendo uma postura mais segura e assertiva em cada interação social.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Farmacogenética Psiquiátrica



No futuro, que já começou, através de um teste genético, o AMPLICHIP 450, podem-se detectar 28 alterações nos genes CYP2D6 e CYP2C19. Esses genes determinam o metabolismo de determinadas drogas nas células hepáticas. O gene CYP2D6 interfere no metabolismo de 1/4 dos medicamentos disponíveis no mercado farmacêutico. Dependendo do tipo de variante genética, um medicamento pode simplesmente não funcionar, intoxicar ou funcionar normalmente. Essa diferença de resposta a medicamentos sempre intrigou a Medicina. Agora podemos adaptar os tratamentos às características individuais do paciente. Sabemos que outros fatores influenciam, como o peso, a presença de alimentos no estômago( retardando a absorção), a frequência das doses e os horários( cronofarmacologia).

A Farmacogenética estuda a identificação de variantes genéticas que influenciam o modo como os medicamentos agem e são metabolizados no organismo.

Entre os diferentes perfis de metabolização existem os metabolizadores pobres, onde há uma lentificação no processo, com presença de mais efeitos colaterais e pouco benefício terapêutico; os metabolizadores extensivos, que têm um aproveitamento normal das drogas, tanto sentindo os efeitos terapêuticos como os efeitos colaterais; os metabolizadores intermediários, cujo processo é feito em ritmo reduzido, aproveitando menos os efeitos terapêuticos e sofrendo os efeitos colaterais; os metabolizadores ultrarrápidos, com os medicamentos sendo eliminados muito rapidamente, sem o aparecimento dos efeitos terapêuticos.
Na Farmacogenética Psiquiátrica, já dispomos de testes, realizados na USP, onde se medem os perfis individuais no metabolismo da fluoxetina(antidepressivo), Imipramina(antidepressivo), haloperidol(antipsicótico) e risperidona(antipsicótico). Muitos pacientes com quadros depressivos resistentes ou TOC( Transtorno Obsessivo-Compulsivo) puderam responder melhor, quando as doses foram ajustadas para o seu perfil metabólico.

Psiquiatria Genética



A hereditariade de transtornos psiquiátricos é um tópico de interesse cada vez maior na pesquisa. Hoje sabemos que a Ansiedade, a Depressão, a Bulimia e os Transtornos de Personalidade possuem uma determinação genética entre 20 e 40 %. A Dependência de Álcool e Drogas possuem uma determinação genética entre 40 e 60 %. A Esquizofrenia e o Transtorno Bipolar possuem uma determinação genética entre 60 e 80 %. E o Autismo possui uma determinação genética entre 80 a 100%.
A Psiquiatria Genética utiliza ferramentas e modelos que investigam a relação dos transtornos mentais com as características gênicas de cada indivíduo. Entre os paradigmas existentes, quatro se destacam: a Epidemiologia Genética Básica, que investiga gêmeos, familias e adoção, através de métodos estatisticos, visando à quantificação do grau de agregação familiar e /ou hereditariedade ; a Epidemiologia Genética Avançada, que também investiga gêmeos , familias e adoção, através de métodos estatísticos, visa à exploração de fatores de risco genético e do ambiente na causa de doenças mentais. Ele é reducionista, porque não aborda as variações do DNA; a Identificação de Genes, também realizada em famílias, trios e genes de caso-controle, por métodos estatísticos, visando à determinação da localização genômica e identificação de genes de suscetibilidade a doenças mentais; Genética Molecular, que avalia indivíduos, por métodos biológicos, visando à identificação de variabilidade no DNA.

domingo, 25 de outubro de 2009

Tratamento da Doença de Alzheimer


A causa da destruição neuronal na Doença de Alzheimer é a deposição de placas B-amilóides nos neurônios. O tratamento baseia-se na utilização de medicamentos anticolinesterásicos, que bloqueiam a enzima acetilcolinesterase, que remove o neurotransmissor acetilcolina da fenda sináptica. Cabe ressaltar que os medicamentos antidemenciais não revertem a doença, apenas retardam a evolução e diminuem os sintomas. Entre os medicamentos disponíveis temos os inibidores da colinesterase( rivastigmina, tacrina, donepezil), os inibidores dos receptores glutamatérgicos( memantina), seleginina e vitamina E. Em caso de haver alterações psicóticas associadas à demência, o uso de antipsicóticos está indicado. Se houver sintomas depressivos associados, o uso de antidepressivos deve ser iniciado.
Devemos diferenciar a depressão da demência, pois há quadros pseudodemenciais. Geralmente na depressão, o início dos sintomas é mais agudo,enquanto que na demência os sintomas são mais graduais, na depressão a progressão de sintomas é rápida, enquanto que na demência a progressão é lenta e muitas vezes passa despercebida. A demência possui piora noturna, o que não acontece na depressão. Na depressão há perda da memória recente e remota, enquanto que na demência a maior perda é da memória recente.

Doença de Alzheimer



A Doença de Alzheimer(DA) é o tipo mais comum de demência. Seu início é gradual e insidioso. Estudos evidenciam que fatores genéticos( múltiplos genes) estão envolvidos na predisposição à doença. No cérebro formam-se placas por deposição de uma proteína( beta-amilóide) nos neurônios, que destroem a sua integridade anatômica e funcional. Os neurônios produtores do neurotransmissor acetilcolina, importante para mecanismos de memória, são destruídos pela doença. O quadro clínico se apresenta pela diminuição da memória recente, seguido de desorientação, afasia, apraxia e agnosia. Mesmo em fases iniciais há déficits nas funções executivas( planejamento,pensamento abstrato,linguagem). Alguns pacientes evoluem com irritabilidade e , em estágios avançados, desenvolvem sintomas como desconfiança, alterações no controle urinário e intestinal. O diagnóstico é clínico, depois de excluídas outras possíveis causas de demência. O diagnóstico definitivo é pelo exame histopatológico( dos tecidos cerebrais e neurônios), na necrópsia.

Envelhecimento e Demência



Com o aumento da expectativa de vida, a prevalência de demência tende a aumentar nos próximos anos. A demência afeta entre 5 a 8% da população idosa acima dos 65 anos de idade, 15 a 20 % das pessoas acima dos 75 anos de idade e pode variar de 25 a 50% nos indivíduos com mais de 85 anos. As mulheres são mais acometidas que os homens. Entre as causas mais frequentes de demência, a Doença de Alzheimer é a principal delas.

Diferentes processos clínicos podem levar a um quadro demencial, havendo 50 tipos de demência.

A demência pode ser primária, isto é, por alterações patológicas na integridade cerebral, como ocorre na Doença de Alzheimer, na demência por corpusculos de Lewy, Doença de Pick ou secundária a outras doenças neurológicas como doença de Parkinson, doença de Huntington. No comprometimento secundário, a demência pode estar relacionada a infecções do Sistema Nervoso Central(SNC) por HIV, sífilis, criptococose( fungo), alterações na irrigação sanguínea cerebral( demência vascular), tumores cerebrais, abuso de substâncias( demência alcoólica). Em resumo, 70 % das demências são causadas pela Doença de Alzheimer e a Demência Vascular.

Demências



Demência é uma síndrome caracterizada pelo declínio das funções cognitivas( linguagem, funções executivas, praxias e gnosias), com intensidade suficiente para interferir no desempenho pessoal e social do adulto. A consciência precisa estar intacta, isto é, não pode haver nenhuma condição médica que altere o estado de consciência, devendo o indivíduo estar lúcido.
Demência é um termo genérico que engloba diferentes transtornos, cujo resultado final é a diminuição da memória e uma função executiva pelo menos. Há alterações comportamentais e de humor concomitantes. A evolução da demência tende a ser progressiva, embora o tempo de evolução seja variável.
A memória imediata( de trabalho) e a recente costumam ser afetadas já nos estágios iniciais da doença. A memória remota( para fatos antigos) é afetada tardiamente. Por isso, pessoas com quadros demenciais lembram mais do passado do que da chaleira com água quente que esqueceram no fogão há 10 minutos. A linguagem começa a ficar comprometida para a nomeação de objetos ou achar as palavras certas durante a fala( afasia nominativa). Com o tempo , o discurso tende a perder a fluência.
Apraxia é perda da habilidade em coordenar atos motores complexos, dificultando , por exemplo , a abotoadura da roupa. Agnosia é a dificuldade no reconhecimento e identificação de objetos. Há também desorientação espacial e temporal, com facilidade em se perder. Em estágios avançados o paciente perde a capacidade de identificar até mesmo membros da família.
Podem ocorrer a redução da capacidade de abstração, empobrecimento do conteúdo da fala e pensamento, desinibição, exacerbação de traços de personalidade anteriores à doença, perda da capacidade de julgamento, irritabilidade e sintomas depressivos.
A avaliação inicial se faz pelo miniexame do estado mental( minimental), através de perguntas padronizadas que medem as funções cognitivas básicas. Além disso é necessário descartar outras causas médicas, seja através de exames de sangue, exames de neuroimagem cerebral, medição da função hepática e renal e dosagem de vitaminas do complexo B.

sábado, 24 de outubro de 2009

Tratamento do TAG


De acordo com as diretrizes farmacológicas, os medicamentos antidepressivos , particularmente da classe dos ISRS( Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina), os antidepressivos duais( ISRSN) e os ansiolíticos( Benzodiazepínicos), além da buspirona, são os medicamentos de eleição conforme o caso específico. Havendo resposta terapêutica às doses prescritas, preconiza-se a manutenção de tratamento pelo período mínimo de 1 ano, com a mesma dosagem.

O tratamento psicoterápico, principalmente a TCC( terapia Cognitivo-Comportamental) está indicada em associação com os medicamentos.

Quando há resposta parcial ao tratamento, pode-se associar diferentes classes medicamentosas para produzir a potencialização dos efeitos terapêuticos.

Os benzodiazepínicos(BZD) são medicamentos auxiliares no tratamento da fase aguda, até que os antidepressivos produzam os efeitos( 2 a 3 semanas). Tão logo o quadro clínico se estabilize, recomenda-se a retirada do BZD para evitar a dependência fisiológica e efeitos colaterais como sedação, fadiga, prejuízo psicomotor, déficit de memória. Entretanto, em alguns casos o uso dos BZD está indicado a longo prazo, com a supervisão médica. Na escolha da classe de BZD, optamos pelos medicamentos de longa ação, para minimizar os riscos de dependência e sintomas de ansiedade rebote nos intervalos das doses, o que acontece com BZD de vida curta.

Transtorno de Ansiedade Generalizada(TAG) e Outras Doenças






O TAG dificilmente ocorre isoladamente. A maioria dos pacientes apresenta outras comorbidades psiquiátricas, como depressão( 62 % dos casos) e distimia( 37 % dos casos). O transtorno relacionado ao uso de substâncias também é frequente, seja o álcool ou outras drogas. O uso do álcool pode surgir como uma tentativa de "automedicação", para aliviar os sintomas ansiosos.
Há ainda associação maior do TAG com condições clínicas como enxaqueca, doença arterial coronariana e diabetes mellitus. Pessoas com doenças osteoarticulares apresentam mais sintomas dolorosos quando apresentam TAG associado.
A prevalência do transtorno ao longo da vida é de 5% e cerca de 1 em cada 10 pacientes atendidos na Clínica Geral apresentam critérios compatíveis com TAG, elevando os custos de atendimento, devido à alta utilização dos serviços de saúde.

Transtorno de Ansiedade Generalizada(TAG)

Os dados epidemiológicos apontam uma prevalência de 4,2 % do TAG no Brasil. Apesar da alta prevalência, esse transtorno é raramente diagnosticado em serviços médicos gerais de atenção primária. Como os pacientes procuram inicialmente um clínico geral, o diagnóstico passa despercebido. O TAG se instala antes dos 25 anos de idade e tem uma incidência maior em mulheres( 2:1). Estudos observacionais relatam um curso crônico, com baixas taxas de remissão e altas taxas de recorrência( uma parcela apresenta curso intermitente, com períodos de remissão), ou seja, é um transtorno que dificilmente melhora espontaneamente.

Transtorno de Ansiedade Generalizada(TAG)



O Transtorno de Ansiedade Generalizada(TAG) caracteriza-se pela presença de humor ansioso, preocupações excessivas com eventos cotidianos na maioria dos dias por , pelo menos, 6 meses. Essas preocupações envolvem, geralmente, antecipação de desfechos negativos( antecipação catastrófica ou expectativa apreensiva). Outra característica principal do transtorno é que a ansiedade e preocupações são de difícil controle pelo indivíduo. Para a realização do diagnóstico em adultos, além do humor ansioso, o paciente precisa apresentar pelo menos 3 sintomas adicionais de uma lista de seis:


_ Inquietação e Sensação de estar com os nervos à flor da pele;


_ Fadiga;


_ Dificuldade em concentrar-se ou sensações de branco na mente;


_ Irritabilidade;


_ Tensão Muscular;


_ Perturbações do sono( dificuldade em conciliar ou manter o sono, ou sono insatisfatório ou inquieto).

Esses sintomas precisam causar prejuízo funcional e sofrimento significativo e não podem ser causados por outra doença diagnosticável , nem ser resultante do efeito de uso de substâncias.

Assédio Moral e Estresse Pós-Traumático



Uma condição preocupante é o assédio moral no trabalho. A cada dia, mais pessoas procuram tratamento psiquiátrico para sintomas compatíveis com estresse pós-traumático, por se sentirem humilhadas e perseguidas por chefes e superiores hierárquicos. O assédio moral é a utilização do poder para atrapalhar, perseguir, obstruir, humilhar, explorar, denegrir a vida de funcionários subordinados. Isso causa sequelas psicológicas e desencadeia transtornos psiquiátricos a longo prazo.

Quando se pensa em TEPT, eventos catastróficos e fora da experiência cotidiana são lembrados. Mas existe um estresse pós-traumático pelo acúmulo de humilhações e perseguições no local de trabalho. Esse TEPT crônico produz a esquiva fóbica do trabalho, o desenvolvimento de transtorno depressivo e ansioso, com prejuízos no desempenho pessoal e profissional.

O tratamento consiste em afastar o indivíduo do ambiente desencadeante do trauma crônico, sugerindo mudança de setor ou até mesmo troca de emprego, quando os sintomas ficam intoleráveis. O que precisamos pensar é o que leva um chefe a destilar todo o seu sadismo, humilhando um colega de trabalho, para satisfazer a seu prazer doentio? A natureza humana no que ela tem de mais primitivo toma a forma de selvageria social, com a impossibilidade de resolver as diferenças pessoais com civilidade e bom senso. Muitas pessoas em condição de poder se transformam em tiranos e causam malefícios ao bom andamento do trabalho, produzindo desavenças ao invés de sinergia, retrocesso ao invés de crescimento. Esses chefes precisam de tratamento e não merecem o cargo que ocupam.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Estresse Pós-Traumático(TEPT)



Uma das situações frequentes no atendimento psiquiátrico é a identificação de quadros depressivos e ansiosos decorrentes de estresse pós-traumático subdiagnosticado, por não preencherem os critérios completos. Pessoas com TEPT parcial correspondem a 30 % da população.
A memória traumática é um dos sintomas que aparecem nos indivíduos submetidos ao trauma, causando desconforto, toda vez que situações rememoram o evento, seja através de sons, paisagens, cheiros e sensações táteis.
O tratamento consiste no uso de antidepressivos e ansiolíticos, além de psicoterapia para reelaboração das memórias, com a geração de novas associações atualizadas e fortalecedoras. O silêncio não faz o indivíduo esquecer, simplesmente registra e esconde essas memórias no inconsciente, de onde os efeitos negativos se apresentarão em diferentes situações-gatilhos. A terapia cognitivo-comportamental( TCC), através da exposição ( imaginária ou in vivo), reestrutura o episódio traumático sob uma perspectiva nova, produzindo aprendizagens corretivas.

Estresse Pós-Traumático



Experiências traumáticas podem causar um transtorno de ansiedade chamado Estresse Pós-Traumático. Entre essas experiências estão a violência( assalto, estupro,etc), desastres naturais( enchentes, terremotos), acidentes( carro, incêndio, avião) e desastres causados deliberadamente( atos terroristas, guerras, tortura, campos de concentração). Seja na condição de vítima ou testemunha, a pessoa pode desenvolver o transtorno.
As estimativas apontam uma prevalência para o transtorno na população em geral em torno dos 7 a 9%, com predominância maior em mulheres.
Neste transtorno a pessoa apresenta sintomas como a revivência do evento traumático, associados à perda de interesse e desânimo, esquiva de situações relacionadas ao evento e aumento da ansiedade, distúrbios do sono, pesadelos, desconcentração, hipervigilância, reações de sobressalto, isolamento e tristeza. Os sintomas têm início após o trauma e duram no mínimo um mês. Quando iniciam nos primeiros três meses são classificados como agudos. Acima de três meses são classificados como crônicos e após seis meses são classificados como tardios.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

As Mulheres estão mais Infelizes




Um estudo americano de 37 anos mostra que , apesar dos avanços na vida das mulheres em relação à igualdade de direitos com os homens, subjetivamente elas estão mais infelizes.
O estudo da Universidade da Pensilvânia (EUA), conduzido por Betsey Stevenson e Justin Wolfers, demonstra uma acentuada redução da satisfação feminina nas últimas três décadas- apesar do aumento das oportunidades de trabalho, as condições de educação e a almejada liberdade de decisão pessoal e afetiva.
Desde 1972, esse trabalho com entrevistas anuais com 1500 indivíduos , homens e mulheres, mostra que as mulheres estão mais insatisfeitas a cada ano, enquanto os homens estão cada vez mais felizes. Isso acontece com diferentes perfis de mulheres, casadas, solteiras, com ou sem filhos, bem ou mal-empregadas, brancas ou negras, pobres ou ricas. Durante a adolescência as mulheres são mais felizes que os homens, mas essa tendência se inverte a partir dos 40 anos.
Aventa-se que o aumento das oportunidades trouxe embutida a dupla jornada, física e emocional, que acaba exaurindo as mulheres e destruindo os casamentos. Outro fator relacionado é o envelhecimento e a mudança na aparência física, que se acelera nas mulheres antes dos homens. As mulheres envelhecem mais rapidamente que os homens e sofrem o preconceito numa sociedade esteticamente orientada.
As mulheres referem que se sentem cansadas. O centro de Estudos Políticos da Grã-Bretanha apresentou uma pesquisa sobre mulheres e trabalho: apenas 12 % das 4600 entrevistadas disseram trabalhar o dia todo; 31% declararam que não gostariam de trabalhar fora; 49 % das mulheres com filhos menores de 5 anos disseram que , se o marido trabalha, elas gostariam de ficar em casa. Parece que as mulheres estão querendo voltar ao lar. Desde 1995 até 2005, 1,2 milhões de mulheres deixaram de trabalhar fora nos EUA, caindo a linha ascendente que vinha crescendo em 22 anos. Um ponto levantado é que as mulheres se cobram muito, criando grandes expectativas , que são irrealisticamente perseguidas e não atingidas! Isso gera um ciclo vicioso de frustrações. Outro questionamento que fica é o reflexo do processo cultural de igualdade dos sexos, com um feminismo antinatural, que nega as diferencas biológicas, colocando a mulher num disputa desigual com os homens.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Personalidade Borderline e Características Clínicas



O Transtorno de Personalidade Borderline apresenta muitas manifestações clínicas. Entre elas, o manual diagnóstico( DSM IV-TR) destaca:


- Esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginário.


- Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis, com alternância de extremos de idealização e desvalorização.


- Perturbação da identidade, instabilidade acentuada da autoimagem.


- Impulsividade em duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa: gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, comer compulsivamente, dirigir de forma imprudente.


- Recorrência de gestos, comportamento e ameaças suicidas ou de comportamento automutilante.


- Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor( irritabilidade, ansiedade).


- Sentimentos crônicos de vazio.


- Raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva( demonstrações frequentes de raiva, raiva constante, agressividade física).


-Ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos( mudanças de estados de consciência).

Personalidade Borderline



Na década de 40, os clínicos começaram a descrever certos pacientes que não eram suficientemente doentes para serem rotulados de esquizofrênicos, mas que também eram perturbados demais para o tratamento psicanalítico clássico. Esse grupo "intermediário" apresentava prejuízos no funcionamento do ego( eu), com incapacidade de fazer planos realistas,dificuldade de controle de impulsos e pensamento irracional. Essa entidade "confusa" apresentava-se distribuída num espectro amplo, com predominância de falta de identidade pessoal coesa, dificuldade de manter relacionamentos interpessoais estáveis, apresentando a raiva como o principal ou único afeto e depressão difusa.

Gunderson e Singer, em 1975, revisaram essas características descritivas e estabeleceram os critérios racionais para o diagnóstico: afeto intenso de natureza depressiva ou raivosa, impulsividade, adaptação superficial a situações sociais, episódios psicóticos transitórios, pensamento frouxo em testagem projetiva e alternância de relações, variando de extrema dependência à superficialidade transitória.

Tratamento do Alcoolismo



O alcoolismo é um problema de saúde pública. O primeiro passo é a realização do diagnóstico.O paciente geralmente nega o problema, sendo muitas vezes levado à consulta por familiares. Diminuir essa negação é o primeiro passo. A aceitação do problema é o grande desafio inicial do tratamento bem-sucedido. Estabelecer a relação entre os problemas atuais e o consumo de álcool pode motivar o paciente a seguir um plano de tratamento. Exames complementares são necessários para verificar as repercussões orgânicas do álcool.

A orientação inicial é a cessação absoluta do consumo. Pacientes com síndrome de abstinência leve(SAA) podem ser acompanhados em nível ambulatorial. A SAA grave deve ser abordada em ambiente hospitalar. O tratamento de eleição são os benzodiazepínicos(BZD), que aliviam os sintomas de abstinência por apresentarem tolerância cruzada com o álcool( ocupam os mesmos receptores gabaérgicos e minimizam a falta do álcool nos receptores).As outras abordagens são as psicoterápicas e incluem: terapia cognitivo-comportamental(TCC), psicoterapia de grupo, participação em grupos de ajuda mútua(Alcoólicos Anônimos), comunidades terapêuticas. Além do tratamento do alcoolismo, outras doenças mentais e físicas precisam ser tratadas paralelamente.

Síndrome da Dependência Alcoólica(SDA)



É um conjunto de fenômenos comportamentais, fisiológicos e cognitivos no qual o uso do álcool alcança uma prioridade muito maior do que outros comportamentos antes valorizados.

Três dos seguintes critérios precisam estar presentes em qualquer momento no mesmo período de doze meses:


- Forte desejo ou compulsão para usar álcool.


- Dificuldade em controlar o consumo em termos de início, término e níveis de consumo.


- Abstinência: conjunto de sintomas( náuseas, vômitos, sudorese, ansiedade, irritabilidade, tremores de lábios e extremidades) de gravidade variável, ocorrrendo na diminuição da quantidade de álcool ingerida após uso repetido e prolongado ou abstinência completa. Casos graves podem evoluir para convulsões, estados confusionais, desorientação temporal e espacial, alucinações auditivas, visuais e táteis( delirium tremens).


- Tolerância: aumento progressivo da quantidade de álcool ingerido para alcançar os mesmos efeitos que originalmente eram obtidos com doses mais baixas ou os efeitos iniciais não são obtidos mantendo-se a dose consumida.


- Abandono progressivo de atividades para usar o álcool, aumento da quantidade de tempo despendido para obter, beber ou se recuperar dos efeitos do álcool.


- Persistência do uso mesmo diante da evidência clara de danos nocivos à saúde física e mental e de problemas sociais.

domingo, 18 de outubro de 2009

Intoxicação Alcoólica Aguda



O uso agudo de álcool provoca intoxicação dos tecidos orgânicos. Produz seus efeitos psicoativos no cérebro e agride diferentes sistemas corporais. O uso crônico produz a dependência e o surgimento de doenças físicas e mentais.

Na intoxicação aguda, que é uma condição transitória, há uma perturbação dos níveis de consciência, cognição, percepção, afeto e comportamentos. A dosagem do álcool no sangue( alcoolemia) dependerá da quantidade ingerida e do metabolismo hepático, mas sofre influência de outros fatores como a graduação alcoólica da bebida, o conteúdo de açúcar( retarda a absorção), a velocidade de ingestão ou a presença de alimentos no estômago.

Indivíduos com tendência genética ao alcoolismo podem apresentar tolerância aos efeitos do álcool, necessitando de doses cada vez maiores para sentirem os mesmos efeitos das primeiras doses. Isso induz ao uso de grandes quantidades de álcool, aumentando o risco de dependência.

O paciente intoxicado apresenta-se alegre, agitado, desinibido, barulhento, sonolento ou choroso.
No início do uso( estágio inicial), com alcoolemia de 22-99 mg/100ml, o indivíduo está com os movimentos e reflexos reduzidos e eufórico. Na medida que avança no consumo( 100-199 mg/100ml), fica com o raciocínio diminuído, humor instável, juízo crítico comprometido, além da marcha cambaleante( ataxia). Com a alcoolemia de 200-299mg/100ml, a fala fica pastosa( arrastada), humor mais instável, surgem as náuseas e vômitos. Em alcoolemias entre 300 e 399 mg/100ml, há lapsos de memória, humor instável e inicia o primeiro estágio de anestesiamento geral. Quando o indivíduo ultrapassa 400 mg/100ml, apresenta insuficiência respiratória, coma e morte.

Causas do Alcoolismo

O alcoolismo tem raízes genéticas fortes. Diversos estudos de gêmeos e de adoção mostram que filhos de alcoolistas são aproximadamente quatro vezes mais propensos a desenvolver o alcoolismo.Os dados epidemiológicos mostram que o alcoolismo acomete , em média, 12% da população. Quanto mais cedo o contato do indivíduo com o álcool, maior a chance de desenvolver a dependência. Isso coloca os jovens no grupo de risco para o transtorno. As campanhas preventivas também deveriam ser endereçadas a essa faixa etária para minimizar os riscos de dependência futura.
O uso durante a vida supera mais de 75 % da população em levantamentos feitos nas principais capitais brasileiras. O uso frequente é feito por 14, 5 % dessa mesma população.

Alcoolismo



O álcool é uma substância depressora do Sistema Nervoso Central(SNC). Apesar de ser considerada, pelos leigos ,como estimulante, pelos efeitos euforizantes nos primeiros goles, sua ação depressora fica evidente quando o consumo aumenta , podendo levar `a sedação e depois à inconsciência e coma. O uso de álcool é fonte de prazer desde a antiguidade, como a busca de alteração de estados de consciência no uso de qualquer substância psicoativa.


As bebidas alcoólicas podem ser as fermentadas( cerveja e vinho), com percentual alcoólico variando de 4 % até 14%, as destiladas( uísque, gim, cachaça, vodcka, conhaque), com percentual alcoólico acima dos 30%.

O uso de álcool é recomendado em pequenas doses e esporadicamente( beber social). Mas em indivíduos com vulnerabilidade genética e com o uso exagerado, o risco de desenvolvimento do alcoolismo aumenta.

O alcoolismo é quadro heterogêneo que engloba diferentes diagnósticos. Comumente é usado como sinônimo de da síndrome de dependência do álcool. Além da dependêncìa alcoólica, outros desfechos podem ser detectados, como a intoxicação aguda, o uso nocivo do álcool, o estado de abstinência, o estado de abstinência com delirium, o transtorno psicótico( alucinose alcoólica, ciúme alcoólico , paranóia alcoólica), a síndrome amnéstica e o transtorno psicótico residual.

sábado, 17 de outubro de 2009

Tratamento do Comprador Compulsivo



Os tratamentos são dividos em tratamentos biológicos( medicamentos) e psicológicos( psicoterapias).

No tratamento biológico, os medicamentos antidepressivos e estabilizadores de humor são geralmente indicados, em virtude da ação no descontrole de impulsos e na instabilidade do humor, muito presentes nestes quadros patológicos.

Alguns medicamentos específicos foram testados como a naltrexona( também usada em dependentes de álcool), com boa resposta, o citalopran, a fluvoxamina( quando há comorbidade com o transtorno obsessivo-compulsivo- compras para armazenamento- "hoarder" e a variação impulsiva-10 % dos casos).

O tratamento psicoterápico mais investigado é a terapia cognitivo-comportamental(TCC), cuja meta não é a abstinência total, mas a identificação de momentos de comprar compulsivo, substituindo-os por uma avaliação racional da necessidade. Isto se faz através da identificação dos pensamentos disfuncionais que influenciam o ato de comprar, e a mudança comportamental( estratégias) para evitar o ato impulsivo.Para isso se utilizam diferentes estratégias, como controle do dinheiro e limitação do crédito, realização do inventário de dívidas, redução do estresse com técnicas de relaxamento, exposição gradual a "locais de risco " , com prevenção da resposta compulsiva e preenchimento de um diário de despesas.

Causas do Comprar Compulsivo


As causas do comprar compulsivo são múltiplas. Potenza e colaboradores encontraram baixa atividade dopaminérgica( neurotransmissão) do sistema de recompensa cerebral em indivíduos com comportamentos como compras compulsivas, jogo patológico, numa pesquisa em 2001. Em 1997, Comings e colaboradores encontraram correlação entre o polimorfismo do gene D1( determinante de receptores dopaminérgicos) e associação entre jogo patológico, abuso de álcool, síndrome de Tourette( tiques motores e vocais) e compras compulsivas.

Também há a hipótese comportamental, como o aprendizado quanto ao manuseio do dinheiro. Os compradores compulsivos geralmente apresentam identidades frágeis, com baixa autoestima, muito suscetíveis à opinião alheia. Associado a essas vulnerabilidades, as propagandas e a pressão social para o consumo e ostentação criam o solo fértil para o crescimento do transtorno.Os gatilhos para o consumo são estressores psicossociais( angústia, ansiedade, frustrações, brigas, conflitos, discussões familiares e profissionais) pois causam emoções negativas que são compensadas pela "terapia das compras".

O diagnóstico não se baseia na quantia de dinheiro gasto, mas como o dinheiro é gasto na tentativa de aliviar sintomas e o grau de prejuízo e sofrimento gerado por isso. A maior parte das compras é feita para uso pessoal, mas uma parcela compra e presenteia outras pessoas.

Será que sou um comprador compulsivo?

Na investigação deste comportamento compulsivo, algumas perguntas são úteis no esclarecimento diagnóstico.
- Você tem preocupação excessiva com compras?
- Já tentou e não consegui reduzir ou controlar as compras?
- Muitas vezes se descontrola e acaba comprando mais do que poderia ou deveria?
- Você faz compras numa tentativa de aliviar a tristeza, angústia ou outra emoção negativa?
- Mente para encobrir o descontrole e a quantia que gastou com compras?
- Tem problemas financeiros causados pelas compras?

Compras Compulsivas


O comportamento de comprar compulsivamente é um sintoma psiquiátrico. Pode estar presente como diagnóstico primário ( oniomania), ou ser um sintoma de transtorno de humor, tanto na fase maníaca(eufórica), como na fase depressiva.

No primeiro caso, temos o excesso de preocupação e desejo de aquisição de objetos e a incapacidade de controlar compras e gastos financeiros. Estima-se que 1 indivíduo em cada 20 possuam características desse transtorno. O estímulo da mídia e o crédito fácil estimulam o comportamento perdulário em massa. O comprar compulsivo é crônico e repetitivo, mais comum em mulheres( 80% dos casos ), reconhecido como um transtorno de controle de impulsos, descrito inicialmente em 1915 como" impulso patológico "por Emil Kraeplin. O início se dá em torno dos 18 anos de idade, mas o diagnóstico costuma ser feito aos 30 anos. Os objetos preferidos entre as mulheres são roupas, sapatos, perfumes, maquiagem e jóias. Entre os homens há preferência de relógios, ternos caros, carros, eletroeletrônicos e acessórios.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Causas do Retardo Mental

As causas do RM podem ser divididas em classes: 15 % se devem a alterações precoces no desenvolvimento embrionário, hereditariedade em 5 a 10 % dos casos, alterações no período gestacional e perinatal em 10 % dos casos, condições médicas contraídas no início da infância em 10% dos casos, distúrbios genéticos isolados em 7 % dos casos, agentes ambientais em 20 % dos casos, nos demais não se detectam as causas.
Vamos a exemplos :
Fatores Pré-concepção:
-Anomalias Cromossômicas- Síndrome de Down( trissomia do cromossomo 21), Síndrome de Turner( Cromossomo XO)
- Distúrbios Metabólicos: Fenilcetonúria( prevenção-teste do pezinho), galactosemia, síndromes diversas
- Anomalias Congênitas Múltiplas: Mal-formações, defeito no tubo neural, anomalias craniofaciais.
Fatores Perinatais
- Anormalidades gestacionais: desnutrição materna, disfunção circulatório-placentária-fetal, disfunções placentárias
- Trauma: Hemorragia intracraniana, Hipóxia( baixa oxigenação) ou anóxia, prematuridade
- Tóxicas: Radiação, intoxicação por metais pesados, uso de substâncias psicoativas( álcool, tabaco e drogas ilícitas)
- Infecciosas: Rubéola, meningite, encefalites, toxoplasmose congênita, sífilis congênita, infecção por HIV, citomegalovirose.
- Metabólicas: Hipoglicemia, Hipotireoidismo congênito, Icterícia grave( amarelão)
Fatores Ambientais
- Deficiência Nutricional, acidentes, pobreza, sindrome da privação afetiva e/ou cultural.

Retardo Mental e Apresentação Clínica

Aproximadamente 3 % da população geral possui quociente de inteligência (QI) dois desvios padrões abaixo da média. A maioria dos pacientes com retardo mental(RM) , em torno de 90%, têm comprometimento leve, enquanto os demais variam do comprometimento intenso a profundo.
A cada 1000 nascimentos, há a prevalência de 3 a 4 nascimentos para QI abaixo de 50. Desse grupo, 0,3 % são descritos como retardo mental moderado a grave.
Pela classificação da CID10( OMS):
-QI entre 51 e 69= Retardo Mental Leve( idade entre 9 e 12 anos em adultos)
-QI entre 35 e 49= Retardo Mental Moderado( idade entre 6 e menos de 9 anos em adultos)
-QI entre 20 e 40= Retardo Mental Grave( idade de três e menos de 6 anos em adultos)
-QI abaixo de 20=Retardo Mental Profundo( idade abaixo de 3 anos em adultos).

Retardo Mental e Definições



O interesse no tópico inteligência está presente em toda a humanidade através da história. Para se evitarem estigmas e preconceitos, a CID 10( Classificação Internacional das Doenças-OMS) conceitua o RM como uma condição do desenvolvimento incompleto da mente, especialmente caracterizada por comprometimento de habilidades manifestadas durante o período de desenvolvimento, as quais contribuem para o nível global de inteligência, isto é, as capacidades cognitivas, de linguagem, motora e social.

Inteligência é a capacidade do indivíduo agir de maneira proposital, pensar de forma racional e lidar de modo afetivo com o seu ambiente. Essa capacidade possui componentes inatos e outros agregados através do estudo e treinamento. Nesse conceito também observamos a ênfase dada ao aspecto emocional, pois as diferentes regiões cerebrais trabalham em harmonia para um resultado ideal em cada situação ou desafio. Visite : http://academiainteligencia.blogspot.com

Retardo Mental



Um problema sério que observamos na clínica é a situação do paciente com retardo mental e a angústia e sobrecarga que sofrem os familiares envolvidos no cuidado desse paciente.

O retardo mental é um diagnóstico que aparece frequentemente no consultório. Muitas mães criam uma expectativa de que o filho ou a filha vai recuperar as suas capacidades intelectuais um dia. É difícil trazer os familiares para a realidade de que isso não vai acontecer.

O retardo mental é o resultado do desenvolvimento cerebral anormal, decorrente de inúmeras causas, sejam pré-natais, perinatais ou adquiridas posteriormente. O resultado é o funcionamento intelectual significativamente inferior à média da idade cronológica. O início é antes dos 18 anos de idade. Podem ocorrer prejuízos no funcionamento adaptativo e sintomas psiquiátricos concomitantes.

domingo, 11 de outubro de 2009

A Evolução da Esquizofrenia



A esquizofrenia foi descrita no início do século pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin, que a denominou "demência precoce." Posteriormente, o psiquiatra suiço Eugen Bleuler deu o nome de esquizofrenia ao antigo conceito.

A doença é rara na infância e na terceira idade, sendo mais frequente entre os 20 e 30 anos de idade. Geralmente os pacientes apresentam alterações comportamentais prévias à doença( pródromos), como retraimento, afastamento social, dificuldades acadêmicas, conversas estranhas, que envolvem idéias religiosas fora de contexto ou envolvimento com assuntos bizarros. Muitos pacientes referem que se sentem estranhos, angustiados, como se o mundo fosse diferente, mas são explicações vagas. Essa estranheza, quando investigada a fundo, revela muitas idéias ocultas de conotação delirante, como a convicção de estar sendo perseguido.

Na evolução do transtorno podemos observar o aparecimento súbito dos sintomas ou aparecimento mais gradual no decorrer dos anos. Os sintomas são muito heterogêneos e mutantes, podendo alcançar períodos de pico( episódio psicótico agudo), que é conhecido na linguagem popular como "surto esquizofrênico." Nesses momentos pode ser necessária a hospitalização para aplacar os sintomas agudos e evitar riscos para o paciente e outras pessoas.

Quando se encontra em surto psicótico, o paciente precisa ser avaliado por um serviço de emergência em psiquiatria. A partir do esbatimento dos sintomas agudos, traçamos um plano terapêutico que inclui o uso prolongado de medicação e algum tipo de psicoterapia adjuvante( psicossocial ou ocupacional). Muitos pacientes conseguem, através dessas modalidades terapêuticas, recuperar a sua capacidade laborativa( 1/3 dos casos) e se adaptar relativamente bem às situações de convívio social.

Esquizofrenia e Fatores Genéticos



Há comprovação de que fatores genéticos contribuem para o surgimento da esquizofrenia. Por exemplo, se um gêmeo idêntico é portador do transtorno, o outro gêmeo tem 50 % de chances de desenvolver o mesmo transtorno. Além da predisposição hereditária, fatores externos interagem com a genética ,promovendo o desenvolvimento da doença. Estudos demonstram que problemas no parto ou durante a gestação aumentam a vulnerabilidade para o aparecimento da esquizofrenia.

Enquanto na população geral a prevalência do transtorno é de 1%, ele aumenta para 8 a 10 % entre parentes de primeiro grau. Os fatores ambientais implicados no surgimento da doença são: o tipo de educação, viver em centros urbanos, complicações obstétricas, migração, estresse , exposição à violência e uso de drogas como maconha, anfetaminas, alucinógenos, cocaína e álcool.

Esquizofrenia e Tratamento



O tratamento da Esquizofrenia envolve o trabalho de uma equipe multidisciplinar. A responsabilidade do psiquiatra se concentra na prescrição de medicamentos antipsicóticos. Esses medicamentos tratam os sintomas principais da doença, como alucinações, delírios, agressividade, agitação, comportamento bizarro, insônia, paranóia e outros.

Os sintomas podem ser divididos em positivos: alucinações, delírios, comportamento agitado ou bizarro e sintomas negativos: isolacionismo social, deterioração volitiva( da vontade).

Os antipsicóticos são divididos em dois grupos: os típicos e os atípicos. Os típicos( mais antigos) tratam bem os sintomas positivos , mas pioram os sintomas negativos e causam muitos efeitos colaterais a longo prazo. A vantagem é o baixo custo econômico. Os exemplos de antipsicóticos típicos são o haloperidol( haldol) , a clorpromazina(amplictil), a pimozida( orap), a trifluoperazina( stelazine) ,a flufenazina( flufenan). Alguns antipsicóticos são aplicados via intramuscular(IM), como medicações de depósito, que vão sendo liberados gradativamente no sangue. Os antipsicóticos atípicos ( de segunda geração) são eficazes tanto em sintomas positivos como sintomas negativos. Também produzem efeitos colaterais( alteração no perfil do colesterol e triglicerídeos, ganho de peso), mas não causam as complicações dos antipsicóticos típicos( discinesia tardia- disturbio do movimento). A desvantagem é o médio a alto custo econômico do tratamento. Os principais representantes são a olanzapina( zyprexa), a risperidona( risperdal), a quetiapina(seroquel), a ziprazidona( geodon), a clozapina( leponex- usado em esquizofrenia refratária).

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Tipos de Esquizofrenia



A Esquizofrenia pode ser classificada em diferentes tipos: Paranóide, caracterizada pela presença de delírios( idéias fora da realidade), geralmente de perseguição( paranóicos) e alucinações auditivas( vozes irreais ). O segundo tipo é a Hebefrênica, caracterizada por comportamento imprevisível, maneirismos, pensamento desorganizado, discurso incoerente ,afetividade superficial e inadequada e isolamento social. O terceiro tipo é a Catatônica, caracterizada por alterações nos movimentos e posição corporal, como estupor( imobilidade) alternados com hipercinesia( excesso de movimentos, inclusive violentos), obediência automática( fica parado numa posição por longos períodos) e negativismo( ausência de respostas a estímulos). O quarto tipo é a Indiferenciada, que se caracteriza por alterações que não se enquadram nos outros subtipos. O quinto tipo é a Depressão Pós- esquizofrênica, que é um episódio depressivo que aparece no final de uma afecção esquizofrênica. O sexto tipo é a Simples, que se manifesta através da ocorrência insidiosa e progressiva de excentricidade de comportamento, incapacidade de responder às exigências da sociedade e declínio global do desempenho.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Esquizofrenia



A Esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico grave, comumente denominado "loucura" pelos leigos. Caracteriza-se pela deterioração do estado mental, através de sintomas que comprometem o pensamento, o juizo crítico, a percepção e o comportamento.

É um verdadeiro problema de saúde pública, cuja incidência é de 1 % na população geral. O índice de suicídio associado a essa doença alcança 10 %. É uma doença que acontece em todas as sociedades e localidades, maior em áreas urbanas e de baixo nível socioeconômico. Os sintomas eclodem na adolescência ou início da vida adulta, com aparecimento mais precoce no sexo masculino e mais tardio nas mulheres. Como é uma doença incapacitante, os pacientes dependem dos benefícios da previdência social, por causa da invalidez.

domingo, 4 de outubro de 2009

Narcisismo Saudável X Narcisismo Patológico






Num mundo tão competitivo como o nosso, falar em narcisismo, ser o primeiro, o melhor, é quase uma obrigação em nome do sucesso. Existe diferença entre o narcisismo saudável e o transtorno de personalidade narcisista?


No narcisismo saudável, que faz parte do nosso desenvolvimento desde criança, quando fomos estimulados pelos nossos cuidadores, está a semente de uma boa autoestima. No narcisismo doentio está a semente da baixa autoestima.

Quando um indivíduo adoece na sua autoestima, o seu narcisismo está com problemas. Ou ele está muito inflado e a pessoa não consegue atingir as suas expectativas irrealistas ou ele foi subdesenvolvido a ponto da pessoa achar-se desvalorizada. Atencão!!! Não estou falando de nenhuma doença física ou mental que esteja abalando a autoestima neste momento. Obviamente que todos nós somos vulneráveis a estressores que machucam nossa autoestima. Agora estou falando exclusivamente da personalidade primária.

No narcisismo saudável, a pessoa conhece as suas qualidades e defeitos, as suas forças e fraquezas e portanto respeita os seus limites e o limite dos outros. No transtorno de personalidade narcisista, essa fronteira desaparece e a pessoa trata o mundo a partir de seu umbigo, o seu pequeno mundo.

O termo narcisista já adquiriu uma conotação pejorativa na sociedade. Ninguém elogia alguém chamando-o de narcisista. Mas existe uma porção do nosso eu que é narcisista, tanto para mantermos o nosso amor próprio, quanto para vivermos em busca de melhorias evolutivas.

Tipos de Transtorno de Personalidade



Existem diferentes tipos de Transtornos de Personalidade(TP). Geralmente classificamos os transtornos com características comuns no mesmo grupo geral(clusters).


O primeiro agrupamento é o A: Transtorno de Personalidade Paranóide, Esquizóide e Esquizotípica.


O segundo agrupamento é o B: Transtorno de Personalidade Borderline, Narcisista , Antissocial, Histérica e Histriônica.


O terceiro agrupamento é o C: Transtorno de Personalidade Obsessivo-Compulsivo, de Esquiva e Dependente.


Quando estamos avaliando clinicamente a pessoa, fazemos uma avaliação ampla, levando em conta as doenças psiquiátricas maiores( Eixo I), os transtornos de Personalidade( Eixo II), as doenças médicas outras( Eixo III), os desencadeantes psicossocioambientais( Eixo IV) e o funcionamento global no último ano( Eixo V). Portanto, a visão é multiaxial, composta de cinco parâmetros de avaliação simultaneamente. Os eixos se interrelacionam e se influenciam reciprocamente.

sábado, 3 de outubro de 2009

Será que tenho Transtorno de Personalidade?



Eis mais uma pergunta que vale a pena pensar a respeito. Vamos ajudá-lo(a) a esclarecer essa dúvida:


1- Você tem dificuldade de controlar os seus impulsos, age sem pensar?


2- Usa regularmente álcool e outras drogas?


3- Tem dificuldade de se relacionar com as pessoas? Envolve-se constantemente em conflitos?


4- Seu comportamento lhe cria problemas e reclamações no trabalho e na família?


5- Suas atitudes geram sofrimento em você ou em outras pessoas?


6- Você se sente incompreendido pela maioria das pessoas? Elas costumam julgar seus atos de forma errônea?

Personalidades Doentias



Um ditado oriental diz que as pessoas percebem as nossas forças antes que nós o façamos, mas também percebem nossas fraquezas antes que percebamos. Esse ditado explica o que acontece com as personalidades doentias. A pessoa doente não percebe que seus traços de personalidade causam mal ao mundo. Se percebem, minimizam isso! Rejeitam enxergar que precisam mudar. Por isso, é difícil tratar os transtornos de personalidade. No início as pessoas são quase sempre levadas a tratamento. Muitos desistem antes de qualquer sinal tênue de mudança.


Quando estamos diante de uma pessoa com transtorno de personalidade(TP), estamos diante de algumas características identificáveis:


- A pessoa tem um comportamento, um pensamento, um funcionamento interpessoal que se desvia do esperado para as normas da cultura. Geralmente há descontrole de impulsos e esse indivíduo faz muitas "besteiras", causando problemas para a família, cônjuge, sociedade e para si mesmo.


- O padrão alterado acontece em diferentes situações e contextos, seja pessoal ou social.


- O padrão é persistente e estável, começando geralmente na adolescência ou vida adulta.


- Nenhum outro transtorno mental maior explica melhor o padrão doentio.


-O padrão doentio não é resultado momentâneo de efeitos de drogas ou medicamentos, ou causado por alguma doença médica diagnosticável.

Choques de Personalidades e Incompatibilidades



Se levarmos em conta a teoria dos 5 fatores e as prováveis combinações, podemos entender por que algumas pessoas se relacionam melhor entre si e outras se chocam entre si.

Os choques de personalidade são incompatibilidades de traços predominantes. A afinidade de personalidades é a compatibilidade de traços predominantes. Mas aquela idéia de que os diferentes se atraem não é verdadeiro? Parece que é verdadeiro até certo ponto, mas quando as diferenças de traços de personalidade são muito grandes, acabam afastando as pessoas e não apimentando os relacionamentos, sejam amorosos ou profissionais.

Dos 5 grandes grupos, o fator que mais contribui para o choque de personalidades é o neuroticismo. Numa pesquisa com 300 casais americanos , publicada em 1987, depois de quarenta e cinco anos de acompanhamento( follow-up), mostrou que as crises conjugais que degeneraram em separação foram causadas pelo grupo do neuroticismo: as reações emocionais explosivas, o excesso de brigas, a instabilidade, a hostilidade , a insegurança no relacionamento. Os outros grupos não foram determinantes da separação. Mesmo admitindo os comportamentos disruptivos e problemáticos, os cônjuges não conseguiram se ajustar para preservar os casamentos. A força de vontade é insuficiente para modificar temperamentos! Muitas características do grupo do neuroticismo estão por trás de muitos transtornos psiquiátricos, como transtornos de humor, transtornos ansiosos e transtornos de personalidade.
A diferença no gosto dos relacionamentos humanos é o tempero. Se ele for muito forte ou nosso paladar muito sensível, não vamos nos digerir adequadamente.

Teorias sobre a Personalidade



Na década de 80 os americanos Robert McCrae e Paul T .Costa elaboraram o modelo dos 5 fatores. Através desse modelo é possível classificar os traços de personalidade. Os cinco fatores aceitos são: extroversão, afabilidade, neuroticismo, abertura à experiências e consciência.

A extroversão inclui a sociabilidade. Em um extremo estão as pessoas reservadas e no outro extremo, as pessoas afetivas. Haveria o tímido versus o sociável, o quieto versus o falante, o passional versus o insensível, o discreto versus o alegre.

A estabilidade emocional é um conjunto de características que foram classificadas no grupo do neuroticismo. O nível de irritabilidade, ansiedade, nervosismo são mensurados neste grupo.

No fator consciência estão a responsabilidade, a disciplina, a organização, a pontualidade.

No fator afabilidade estão presentes a maneira como o indivíduo lida com as outras pessoas, se é cruel ou piedoso, crítico ou tolerante, mesquinho ou generoso.

No fator abertura à experiências estão o interesse em experimentar novas experiências, a curiosidade, o conservadorismo versus a liberalidade, etc.

Esses fatores são observados na clínica e a partir deles foram desenvolvidos testes que tentam desenhar objetivamente a configuração da personalidade de uma pessoa, a fim de prever determinados comportamentos e pensamentos.

Dificilmente uma pessoa vai conseguir radicalmente mudar os seus traços predominantes, que compôem sua identidade, estável e constante, mas poderá atenuar alguns traços e fortificar outros. Digo que uma pessoa introvertida nunca será um "extrovertido verdadeiro", mas pode ser um "extrovertido funcional", se aprender habilidades interpessoais, aprender a interagir com o mundo e buscar aprimoramento através de técnicas.

Pesquisas mostram que os traços de personalidade ligados ao neuroticismo são os mais difíceis de mudar( temperamento?).Mesmo os outros traços ligados à consciência ou extroversão possuem um limite provável de modificação. Alguns estudiosos recomendam não estimar mais do que 10 % de modificação.

É Possível Curar os Transtornos de Personalidade?



Vários conceitos deixam essa pergunta bastante complexa. O primeiro conceito é o de cura. Cura é supressão temporária ou definitiva de sintomas. Então, podemos dizer que os transtornos de personalidade são tratáveis, mas talvez não sejam curáveis. Imaginemos uma pessoa com transtorno de personalidade antissocial( psicopatas). Nesse caso, vários trabalhos demonstram que não há cura, pois mesmo submetidos a diferentes tipos de tratamento, esses indivíduos mantêm os padrões desadaptativos de comportamento. Portanto, até o momento em que escrevo, são, a priori, incuráveis, porque são intratáveis com os métodos conhecidos pela Psiquiatria e Psicologia.
Entretanto, outros transtornos de Personalidade(TP) podem responder a determinados tratamentos, incluindo psicoterapias e medicamentos. As psicoterapias são modalidades de tratamento através da interação verbal geralmente, que visa à modificação de traços anormais de personalidade através de novas aprendizagens emocionais corretivas e alterações de padrões disfuncionais de pensamento. Os medicamentos podem flexibilizar a transmissão neuroquímica, contribuindo para a atenuação de determinados traços dos transtornos de personalidade.(TP).
Muitos transtornos de personalidade mostram uma atenuação depois de uma determinada idade, como o transtorno de personalidade borderline, enquanto outros parecem manter-se estáveis ao longo do tempo.
Então a resposta à pergunta é: depende do transtorno de personalidade, depende do grau de comprometimento mental, da rigidez do paciente e da motivação para o tratamento. Sim, podemos curar, mas muitas curas precisam de uma constante autoavaliação do paciente, corrigindo os padrões que foram aprendidos desde a infância. E o termômetro da cura vai ser deixar de agredir o mundo e as pessoas e começar a ter uma atitude construtiva e saudável!

Transtornos da Personalidade nos Consultórios



Os transtornos de personalidade(TP) têm ocupado a prática psiquiátrica e psicológica com mais frequência. A prevalência de algum transtorno de personalidade na população geral é de 10 a 15 %.Quando avaliamos a população psiquiátrica, com qualquer transtorno de personalidade, esse percentual chega a mais de 50%.
Todos possuímos uma personalidade. Mas quando uma personalidade se transforma num transtorno? Isso ocorre quando traços( características) dessa personalidade ficam inflexíveis ou desadaptativos para a sobrevivência ótima do indivíduo em diferentes situações e contextos. Isso denota que fatores culturais podem influenciar o que se considera adaptativo. Portanto, a personalidade saudável precisa de um referencial cultural. Quando a personalidade se desvia das normas esperadas numa determinada sociedade ou cultura, estamos diante de um transtorno.
Uma característica ,historicamente associada a qualquer transtorno de personalidade, que foi abordada por Kurt Scnheider, diz respeito a tendência de portadores de transtorno de personalidade de fazerem outros sofrer. Como o indivíduo é inflexível, sente, pensa e percebe a si e o mundo de maneira doentia, traz muito sofrimento para si e para os que o cercam.
Os TP surgem na adolescência e início da vida adulta, mas já podem mostrar sinais na infância. São diagnosticados a partir dos 18 anos. São estáveis no tempo,isto é, não são passageiros e se manifestam mesmo na ausência de uma doença mental como depressão, ansiedade ou esquizofrenia. Os TP geralmente coexistem com outras doenças mentais, sendo diagnosticadas separadamente.